É incrível como coisas que aparentemente não têm nada a ver com você te fazem pensar em várias coisas e refletir sobre sua própria vida, não é? Explico-me.
Ontem estava voltando do trabalho e vi três gurias no metrô, batendo papo, fazendo barulho, etc. Deviam ter por volta de uns 14, 15 anos. As três com piercings e trezentos furos em cada orelha, com um clips (é, um clips de papel) em algum dos furos. Uma delas de saia jeans curtíssima, blusa preta, MUITA sombra preta e cabelo cereja. Outra com uma camiseta (que achei foda) imitando a do Depto. De Polícia de New York, calça jeans e DOIS cintos de tachinhas, e a que estava mais normalzinha de camiseta branca e calça xadrez vermelha. Normalmente não paro pra pensar muito nisso, mas aquelas três me fizeram pensar na parte da minha vida que eu faço tudo pra esquecer, que é minha adolescência. Que na verdade foi adolescência só no período etário, porque eu não tinha turma, não saía, não namorava, não usava roupas esquisitas, não me preocupava com vaidade, nada disso que vejo nas adolescentes nem da minha época nem de hoje. Eu lia pra burro, sabia tudo que passava na TV sábado à noite, pq minha mãe saía e eu ficava em casa, trabalhava pra conseguir ter grana pra pagar a passagem e ir pra aula... acho que essa coisa de zoar, ter turma, sair e tals, fui ter só lá pelos 19,20, quando comecei a sair com a Pri e a Pat. Não sei se foi bom ou ruim. Eu me lembro da minha adolescência como uma época muito ruim, mas não apenas por causa dessas diferenças todas entre mim e os outros, mas talvez por causa disso também. Eu ERA diferente, eu ME SENTIA diferente, e as pessoas ao meu redor, principalmente os outros adolescentes, faziam questão de me mostrar que eu ERA diferente deles, portanto não era digna de participar do mesmo grupo de convívio deles – exceto na época de provas bimestrais, que aí todo mundo era meu amigo porque eu passava cola. Ainda estou tentando trabalhar as minhas características atuais que surgiram na adolescência – como necessidade de aceitação, auto-afirmação através de estudo, ou agora, trabalho, baixa auto-estima, essas coisas todas – na terapia, mas não tá sendo fácil. Bom, ninguém disse que seria, só que valeria a pena...
A outra coisa que me fez pensar foi assistir o programa da Oprah Winfrey ontem, e o tema era "mulheres viciadas em cirurgia plástica". Um caso mais bizarro do que o outro. Uma que o marido tinha três empregos e a casa estava hipotecada pra pagar todas as lipos dela, uma que tinha roubado e estourado cartão de crédito dela e dos pais pra fazer plástica mas tinha conseguido parar, e uma – pra mim a mais bizarra – que, aos 28 anos, já tinha feito 26 cirurgias plásticas. Seios, bumbum, coxas, rosto, orelhas, queixo, boca, maçãs do rosto, três ou quatro no nariz, sobrancelha... e estava querendo fazer uma pra aumentar na altura, que é cortar a pele na circunferência total da cintura e esticar a musculatura e a pele, pra aumentar o tamanho do corpo (!). O mais bizarro no caso dela, além da aparência totalmente artificial – a própria Oprah falou que ela parecia uma Barbie, e parecia mesmo – era o nariz. Ela levou uma foto do MICHAEL JACKSON pra fazer o nariz. Não conseguia mais respirar direito e o cirurgião disse que se ela fizer mais alguma plástica o nariz dela desaba, porque a cartilagem não agüenta. Cara, depois de ver isso eu fiquei MUITO satisfeita com minhas estrias, meu pé esquisito, meu nariz de ponta abatatada e meu peito pequeno, porque mesmo que eu sonhe mudar tudo isso, não quero ficar daquele jeito. Vai que eu me empolgo e fico fazendo isso tudo????
Bom, nenhuma novidade sobre o front – digo, o apartamento. Andei apreçando tinta, devo ir lá com o Eduardo no fim de semana pra gente medir as paredes e calcular o quanto de tinta que vai gastar, e ver o que vai precisar mexer na parte elétrica.
Bom, acho que é isso. Ainda estou meio em choque. Cruzes.
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Laurelin Corsets às 8/25/2005 10:41:00 AM