Estou em estado de graça.
Acho que já comentei aqui da mala filha da puta da minha vizinha do andar de baixo, que reclama de todo e qualquer barulho, meu ou dos outros. Pois bem. Ela tinha dado sossego durante um mês (excetuando o fato de ter reclamado de eu juntar o jornal do xixi dos gatos e botar na sacolinha), aí ontem ressucitou.
É claro que, quando você mora em apartamento, principalmente num prédio de 170 conjugados e paredes finas que nem casca de ovo, você vai ter um certo cuidado pra não incomodar os outros. E uma certa tolerância pra não reclamar de barulhos normais, tipo o microondas ou a TV do vizinho, que eu ouço de vez em quando. E ela não tem essa tolerância.
Cheguei em casa 18:30 e fui limpar meu apê – na verdade era pra ter arrumado de manhã, mas o tempo tá chuvoso e confortável pra dormir -, terminando de aspirá-lo por volta das 19:00. Das duas uma: ou meu relógio está atrasado cerca de três horas ou essa mulher tá doida, porque que me conste, lei do silêncio começa 22:00. Ela interfonou pro porteiro reclamando do aspirador, enquanto eu aspirava meu corredor. Atendi o interfone, ouvi a reclamação e continuei aspirando até terminar. Depois que limpei tudo – fula da vida – decidi fazer uma reclamação formal dela ao síndico. Antes de reclamar sozinha, desci pra falar com o porteiro pra ver de quais outros apartamentos ela reclamava, pra ter mais subsídio pra reclamar. Calhou de na hora que eu fui lá, estar entrando uma das moradoras do 603, uma das principais vítimas da mala. Conversamos um bocado, ela disse que topava assinar a reclamação também e me contou alguns dos casos pelos quais ela já passou com a coisa. Tivemos a brilhante idéia de ler o livro de ocorrências do condomínio e confesso que ontem foi uma das noites mais engraçadas dos últimos tempos. A mulher é simplesmente anormal, é caso patológico. O livro registra ocorrências desde 2002, e não se passam TRÊS PÁGINAS sem que haja uma reclamação dela. Algumas coisas das quais ela reclamou:
- vizinha do 504 (abaixo dela!!!) andando de salto pela casa
- vizinho do 606 (nem é parede meia com ela) ouvindo TV alta.
- "as faveladas" do 603 tocando violão depois das seis da tarde (uma das moradoras fazia violão e cavaquinho na Villa Lobos, e tinha que praticar em casa, por razões óbvias)
- vizinho do 617 (no fim do corredor!!!) tomando sol sem camisa no corredor
- porta de apartamento batendo porque a pintura agarra
- gato miando no corredor quando vizinha da frente foi jogar o lixo na lixeira
- vizinha se despedindo do namorado no corredor (corredor não é lugar pra namorar)
Era cada coisa mais absurda do que a outra. Teve uma das reclamações em que ela disse que morou em apartamento a vida inteira, mas que essas pessoas barulhentas "não estavam preparadas para a vida em sociedade, tinham que morar na roça, entre cachorros, gatos e bosta de vaca". A moradora de quem ela tinha reclamado respondeu que também tinha morado em apartamento a vida inteira e que nunca tinha achado ninguém tão intolerante que nem ela, e que se alguém devia morar em fazenda era ela, mas isolada das pessoas e sem nenhum bicho por perto, porque chata como ela é, ia reclamar de galo cantar ou de passarinho piar.
Depois de ler aquilo tudo e ver que de 2003 pra frente o síndico passou a ignorá-la, eu entrei em estado de graça. Tanto o Eduardo como a mãe dele já tinham me falado pra ignorar, pra relevar pq ela devia ser doente, mas eu ainda ficava cismada de ser eu a errada. Depois de ver TODAS aquelas reclamações, minha alma tá lavada, passada e engomada. Não vou mais ficar neurótica com barulho. Ela que xingue, não vai conseguir nada mesmo... até os porteiros dão razão pras vítimas de reclamações, e não pra ela...
E tenho dito.
Postado Por:
Laurelin Corsets às 7/20/2005 02:50:00 PM