Ontem eu estava assistindo a um filme dos anos 50 no TeleCine Classic, com o Frank Sinatra e a Doris Day. Algumas considerações:
- que cabelinho ridíííículo da Doris Day... o filme inteiro duro de laquê ou o que quer que eles usassem naquela época.
- A idade melhorou o Sinatra.
- Só em filme mesmo pra mocinha que tem uma puta casa, uma puta família e um puta partidaço, pianista de sucesso, largar tudo – inclusive o noivo no altar – e se casar com um pianista fracassado que não tem dinheiro nem pra comer, que dirá pra sustentá-la.
- No final do filme, aquela festa de páscoa, a família feliz com maridos e filhos em volta do piano... blé. Se eles colocassem alguma dose de realidade, alguém da família teria algum problema ou o clima estaria ruim ou algo do gênero. Essas famílias que são mostradas em filme simplesmente NÃO EXISTEM. E acho besteira colocarem esse tipo de coisa na ficção, a intenção não é “a arte imitar a vida”? Então coloquem famílias problemáticas, oras...
Eu não sei se essa birra minha toda com as “famílias felizes” é porque a minha é completamente diferente disso tudo, se o fato de eu detestar Natal vem da hipocrisia da minha família ou simplesmente do fato de ter que se juntar todo mundo no Natal e eu detestar isso... só sei que essas coisas de família modelo me enervam. Eu fico pensando na guinada que, nesses últimos dois anos, teve a imagem que minha família faz de mim. Antes eu era a esquisita, a anti-social, a que não dava valor, a que não ia na casa dos tios, que não ligava pra saber como estão, blá blá blá. Hoje eu sou a que teve sucesso, a que venceu na vida, a “sobrinha da qual eu tenho muito orgulho”, a sensata, aquela que todo mundo ouve... (ok, vou parar por aqui, é chato ser gostosa...) Eu não entendo isso. Quer dizer que só porque saí de casa e dei conta do recado sem pedir arrego (mesmo à custa de passar dificuldades tipo estar péssima de gripe e não ter grana pra comprar nem uma aspirina), e estou trabalhando numa empresa pública – ou autarquia, como me disse a Urd -, eu sou a fodona da família? Então aquela Vanessa que fazia das tripas coração pra dar grana em casa, e pagar xerox da faculdade, e pagar lanche, tudo ao mesmo tempo, não tem valor? A Vanessa que começou a trabalhar dando aula particular e vendendo bombom e bijuteria com 15 anos pra aliviar a barra da condução e do material escolar, não tem valor? A Vanessa que ajudou a carregar tijolo pra construção da edícula, que quase teve hipotermia ajudando a pintar a casa em PG pra economizar grana, não tem valor? Não, eles só se lembravam da Vanessa que não passou no CEFET – pra um curso que ela não queria fazer e que simplesmente decidiram que ela iria fazer - , a Vanessa que um dia se cansou de aturar a mãe decidindo até que amigos ela podia ter e resolveu sair de casa, a Vanessa que acusou a tia de estar bebendo demais e não ter controle sobre seus atos... bom, se beber quatro ou cinco garrafas de cerveja por dia, TODO DIA, não for beber demais, eu não sei direito o que é.
Não estou revoltada com minha família, estou apenas analisando algumas coisas que já rolaram... acho que eu pensar essas coisas pra mim, vai me ajudar a esclarecer na terapia... pena que quarenta minutos é tão pouco...
Abri ontem em Camelot um tópico com meus haicais. Talvez isso me incentive a fazer mais... tenho que me animar a escrever o conto que tá na cabeça... é mais curtinho que o outro. Na verdade eu vou reescrever uma redação que fiz na época do cursinho. Se ficar bom eu publico aqui de novo.
Bom, fico por aqui... depois falo mais abobrinha.
“Gotas de chuva
perturbam a calma
do lago sereno.”
Postado Por:
Laurelin Corsets às 5/18/2005 01:50:00 PM