}i{ Blog da Ilyria }i{

22.4.05


Tô com sono (novidade...). Bem feito, isso que dá chegar em casa 01 da manhã e ainda ficar lendo quase meia hora, e ter que acordar às oito.
Explico-me. Ontem fomos pra casa da Nissirë ver a VE do RDR (de novo, dessa vez com som. Mas legenda em inglês) e o filme acabou tarde pra burro, ainda ficamos conversando e tal, aí acabou que cheguei em casa uma hora. E lerda do jeito que sou, ainda acabei lendo uma meia horinha, quando fui assustar já era quase duas horas. E pobre, vocês sabem, rala cedo. Agora que não preciso mais emendar feriados, fico nessas de trabalhar direto... (reclama não, Vanessa...)
No fim do filme ontem, ouvindo a música da Annie Lenox que toca nos créditos, me lembrei da avalanche de sensações que me invadiu – acho que invadiu todos nós que acompanhamos a trilogia – de “putz, até que enfim acabou, não vamos ter que esperar mais um ano pra ver o final” e ao mesmo tempo “acabou, que merda, pelo quê nós vamos esperar agora???” É engraçado isso... mas valeu a pena ver de novo. A companhia também tava ótima, embora durante o lanche tenham sido discutidos uns assuntos meio cabeludos, e não sei exatamente que posição tomar. Talvez, como mineira e boa conterrânea do Tancredo, deva fazer como ele fez, ficar em cima do muro o tempo todo. Não consigo imaginar alguém mentindo deliberadamente num assunto sério como o que foi discutido, mas ao mesmo tempo os argumentos de quem afirma ser mentira são até fortes... sei lá, por mais que eu fique falando que perdi a fé nas pessoas, tenho uma leve tendência em ainda acreditar nas que nunca me decepcionaram... é complicado lidar com gente, viu...
Ontem li, durante a tarde, “A casa dos budas ditosos”, do João Ubaldo Ribeiro. Antes que me perguntem, não, não tenho leitura dinâmica. Acontece que leio MUITO rápido (assim como digito) e o livro além de fino, tem letras grandes. Achei interessante, mas não “aquilo tudo” que a crítica fala. Pra quem gosta de escracho e indecência, é ótimo. Acho que a Claudia gostaria, pois tem um pouco a ver com o Erotica. Só que o Erotica é mais elegante, por causa das imagens, dos trechos mais românticos e menos sexuais da literatura, essas coisas.
Ah, vi “O Clã das Adagas Voadoras” na quarta feira mesmo. Maravilhoso!!! Em termos de história, dá de cem a zero no Hero, mas em termos de visual, é páreo duro. Ainda continuo me inclinando pra achar Hero visualmente melhor, mas em termos gerais, Adagas é melhor sim. A cena do jogo do Eco é fabulosa, acho que uma das melhores do filme. E o Cap. Leo é um filho da puta de marca maior.
É simplesmente TÃO BOM morar num lugar que tem cinema a menos de duas horas de distância da minha casa!!!!
Quanto ao conto, vou publicando devagarinho, mais ou menos uns três ou quatro parágrafos por dia. Se alguém estiver sem saco de ler aos pedaços e quiser lê-lo inteiro, me avise que eu penso no caso de mandar por e-mail.
Ah, tou com idéias sobre a decoração lá de casa. Mudanças radicais. Vou desenvolvê-las e depois comento aqui.
Ah, aceito comentários e críticas (construtivas por favor) sobre o conto. Depois explico pra vocês a relação que a história tem com minha vida. Boa leitura!!!

Apenas mais 24 horas

“Quando acordei, naquela manhã de Natal, só queria dormir de novo e acordar em janeiro. A noite do dia 24 fora até passável, mas eu estava com medo do dia 25. Seria meu primeiro Natal depois da minha família ter se desmantelado.
Bom, primeiro deixem-me apresentar. Meu nome é Helena, tenho 47 anos, e sou uma alcoólica em fase de recuperação. Eu não bebi nas últimas 24 horas, e em mais algumas horas que, naquele Natal, totalizavam três anos, oito meses e vinte e sete dias. Hoje, no momento em que escrevo este desabafo, tenho mais algumas 24 horas. É o período que nós, em recuperação, nos propomos a viver de cada vez.
Eu comecei a ter problemas com o alcoolismo algum tempo depois de casada. Casei-me com Alberto aos 23 anos, e os filhos não demoraram a vir. Fernanda nasceu quando eu tinha 25, e Marcelo três anos depois. Nessa época eu e Alberto já tomávamos porrezinhos quando as crianças iam dormir na casa da minha sogra, mas o problema sério veio só depois.
Aos 30, enfrentei minha primeira crise séria. Eu e Alberto estávamos na tal “crise dos 7 anos” e a cada briga que tínhamos eu me refugiava na Vodka ou no Martini. Preferia bebidas transparentes, embora pudesse escolher entre umas 30 variedades que Alberto mantinha no barzinho de nosso apartamento, para as visitas dos amigos. Nas transparentes, eu sempre podia completar com água para que ele não percebesse a velocidade em que o nível abaixava.
Pouco depois disso, voltamos às boas e a bebedeira diminuiu. Foi na mesma época em que ele mudou de emprego, e nos mudamos de cidade. No começo foi uma maravilha, a novidade, fomos para um apartamento maior, móveis novos, um quarto para cada filho, frequentávamos festas elegantes, novos amigos... só que tudo foi entrando na rotina. Alberto queria “mostrar serviço” e ficava trabalhando até altas horas. Eu ficava sozinha em casa com as crianças. Lia muito, mas não me animava a sair. Cheguei a cogitar voltar ao trabalho (tinha largado o emprego e a faculdade de geografia, no 1º ano, para me casar) mas Alberto deu o contra. As crianças precisavam do carinho da mãe, e não de uma empregada. Às vezes eu penso que foi não ter decidido por mim mesma que me conduziu ao fundo do poço. Eu sempre aceitei as decisões de Alberto calada, a ponto de praticamente me anular para darmos certo. E por fim, percebi que não tinha mais objetivo, mais motivo, mais razão para continuar. Ser dona de casa, mãe em tempo integral e esposa de um marido que chega tarde do trabalho e ainda faz hora extra em casa, varando a madrugada, não era bem o que eu tinha sonhado para minha vida, mas não via nenhuma escapatória.
O alcoolismo continuou progredindo, mas a primeira vez que vi o quanto estava sério foi quando Fernanda tinha treze anos e Marcelo dez. Tive uma briga feia com Alberto, na véspera de uma viagem a trabalho dele. As crianças estavam na casa da minha sogra, passando o fim de semana. Comecei a beber no domingo de manhã, assim que Alberto saiu. Bebi uma garrafa de vodka, quatro ou cinco cervejas e várias taças de vinho, no decorrer do dia. Fui acordar na segunda, quase na hora do almoço, com a vozinha estridente de Fernanda me chamando. Abri a porta e vi os rostinhos assustados de meus filhos e a expressão preocupada de minha sogra, Marilda. Me senti horrível por eles terem me visto daquele jeito, e por ter faltado a meus filhos, pois era para eu ter ido buscá-los para irem à escola, na segunda de manhã.
As crianças me abraçaram e eu só sabia chorar. Marilda perguntou o que houvera, mas estava claro, devido à trilha de copos e latinhas pela sala, e o cheiro de bebida que eu exalava. Ela preferiu ficar calada, talvez se tivesse me chamado à razão ali naquele momento eu não tivesse prosseguido de maneira tão feia.”

(Continua no próximo post)


Postado Por: Laurelin Corsets às 4/22/2005 11:01:00 AM






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Nome: Vanessa
Idade: 25 (fiz em 08/04)
Onde me escondo: Rio de Janeiro (até que enfim!)
Eu gosto de... O Eduardo, gatos (aqueles peludinhos de 4 patas), pizza de maracujá, chocolate, sorvete, bons livros, cinema, vinho tinto, música , SDA, dormir e o Rio de Janeiro...
Eu não gosto de...ficar longe do Eduardo, estar longe das pessoas de quem gosto, acordar cedo, dias chuvosos, brigas, me sentir sozinha, almeirão amargo, gente hipócrita, correio lotado em época de Natal, clientes mal educados no banco e de vez em quando minha família.
Quero ter...Os dois volumes do Musashi, um monte de livros do Stephen King, o resto da coleção do Helloween, quatro fontes inesgotáveis: 1 de Pepsi Twist, 1 de Vinho tinto, 1 de pipoca e 1 de chocolate. Velox, que meus gatos parem de soltar pêlo e um salário maior.

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